Compartilhe esse conteúdo

Saiba quanto você precisa investir para chegar a uma boa renda na aposentadoria e como começar a garantir agora mesmo um futuro confortável

O planejamento da aposentadoria é uma prioridade para o engenheiro mecânico-aeronáutico mineiro Flávio Carneiro, de 47 anos. “Hoje em dia, eu dedico cerca de 35% do meu salário bruto para isso. Anualmente, grande parte da minha renda é destinada a investimentos para o meu futuro”, diz Flavio, que trabalha, em São Paulo, como gerente-geral de uma multinacional. Esses investimentos incluem, por exemplo, dois planos de previdência privada. A ideia é garantir que, caso decida se aposentar por algum deles aos 55 anos de idade, ele tenha garantida ao menos uma renda mensal de 3 500 reais.

Infelizmente, poucas pessoas se preparam para a saída do mercado de trabalho como Flavio. Segundo uma pesquisa divulgada em julho pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), seis em cada dez brasileiros (64,2%) não se programam para assegurar a renda que os sustentará na terceira idade. A falta de recursos e o desconhecimento sobre finanças pessoais estão entre as principais justificativas para essa falta de planejamento. “No Brasil, muita gente ainda pensa mais no status do que na segurança, e isso faz com que elas tenham uma velhice muito precária, pois trabalham muito mais em cima de desejos imediatos do que das necessidades reais que terão no futuro”, afirma a coach Andrea Deis, de São Paulo, que trabalha com seus clientes a preparação para uma velhice ativa e confortável financeiramente.

FATOR TEMPO

Quanto antes um trabalhador começa a poupar e investir com vistas a formar uma reserva para a sua aposentadoria, melhor. “Uma pessoa de 30 anos que quer se aposentar aos 60 precisa contribuir mais que o dobro do que alguém que começa aos 20”, afirma o superintendente comercial da Icatu Seguros, Bruno Hoffmann. A boa notícia, para quem ainda não começou, é que, segundo os especialistas em finanças pessoais, com organização, é possível, sim, abrir espaço no orçamento mensal para os investimentos em previdência.

O advogado Fabricio Posocco (foto), de 40 anos, de Santos (SP), é um exemplo. Como é um profissional liberal – e não trabalhador com carteira assinada, com depósitos ao INSS feitos pelo empregador – Fabricio percebeu a necessidade de tomar a iniciativa de fazer um planejamento cuidadoso da aposentadoria para não passar por dificuldades na terceira idade. Há dez anos ele começou a separar uma parte de sua renda para formar sua reserva para o futuro. Para isso, teve ajuda de um planejador financeiro, que o ajudou a calcular o tamanho do investimento necessário, de acordo com seu perfil. “Quando comecei, optei por um plano de previdência porque muitos faziam isso, mas ainda não tinha muita ideia do que se tratava. Depois, conversei com um especialista em mercado financeiro e juntos passamos a planejar esse investimento levando em conta critérios fundamentais, como a idade com que pretendo me aposentar e a renda mensal que eu precisaria para sobreviver”, afirma o advogado.

Nesta reportagem, VOCÊ S/A preparou um roteiro para ajudá-lo a calcular o montante necessário para assegurar seu padrão de vida na terceira idade e qual teria de ser o valor dos seus aportes mensais em previdência para garantir uma aposentadoria confortável (conteúdo disponível no link abaixo). Que tal começar agora mesmo a planejar um futuro mais seguro e feliz?

ABRA ESPAÇO NO BOLSO

Com organização, é possível poupar o suficiente para aplicar em previdência, mesmo que a renda mensal não seja tão alta

DIVIDA SEU OBJETIVO EM MICROMETAS

Começar a economizar exige autocontrole e disciplina, principalmente quando a meta ainda está longe de ser alcançada. Por isso, a dica da coach Andrea Deis, de São Paulo, é colocar metas menores para serem cumpridas mês a mês: “Se a pessoa não tem costume de economizar, eu a aconselho a começar reservando 1% do salário. No segundo mês, 2%; no terceiro 3%, e assim por diante”, afirma.

NÃO DÊ CHANCE PARA O CONSUMISMO

Para Bruno Hoffmann, da Icatu Seguros, uma atitude que ajuda quem tem dificuldades de controlar a renda mensal é colocar as contas prioritárias no débito automático. Ao definir essa forma de cobrança para um plano de previdência, a pessoa garante que não gastará indevidamente a quantia que deveria ser investida. “Agende a cobrança do plano para o mesmo dia ou o dia seguinte ao do recebimento do salário. Assim, você evita que esse dinheiro seja gasto com outra coisa”, diz.

MANTENHA UMA PLANILHA FINANCEIRA

Não há planejamento que sobreviva sem uma planilha ou papel e caneta para registrar cada gasto e ganho no mês. “Eu tenho uma planilha há mais de dez anos para anotar e analisar minhas receitas e despesas. É importante fazer isso para visualizar que gastos poderiam ser cortados”, afirma Flávio Carneiro.

LIVRE-SE DE BENS QUE SÓ DÃO PREJUÍZO

O engenheiro Flávio Carneiro também sugere vender bens que trazem despesas e não geram um bom retorno no longo prazo. “Às vezes, as pessoas têm dois carros na garagem ou uma casa na praia que quase não é usada. Será que não valeria a pena vender essa casa, investir o dinheiro, e ficar numa pousada quando for ao litoral?”, diz ele.

A HORA DO RESGATE

Para estimar quanto precisa reservar para atingir o montante desejado na aposentadoria, o primeiro passo é definir a forma como esse dinheiro será retirado ao fim do período de contribuição

SAQUE DO VALOR TOTAL

Ao fim do prazo da contribuição, o cliente saca de uma vez o montante acumulado, acrescido da rentabilidade no período e descontado do imposto de renda. Esta pode ser a opção, por exemplo, de quem pretende abrir um negócio, mas é preciso avaliar se, investido, o dinheiro garantiria o mesmo valor assegurado pela renda mensal vitalícia.

RENDA VITALÍCIA

Modalidade mais comum entre quem adere a um plano de previdência privada, o investidor recebe a quantia acumulada mensalmente, de sua aposentadoria até a morte. O benefício não se estende ao cônjuge ou à família após o falecimento.

RENDA MENSAL TEMPORÁRIA

Na renda mensal temporária, o beneficiário pode optar por receber o dinheiro mensalmente durante um período máximo de meses ou anos, o prazo que acredita que viverá. Se vier a falecer antes desse limite, o pagamento será interrompido. O mesmo acontece caso ele viva mais do que o período contratado.

RENDA MENSAL VITALÍCIA REVERSÍVEL A BENEFICIÁRIOS

Há uma série de modalidades de renda mensal vitalícia que permitem a transferência do pagamento a um beneficiário apontado pelo contratante. Isso pode acontecer durante um prazo máximo combinado, até a morte do segundo beneficiário ou até os filhos completarem 21 anos de idade.

Esta reportagem foi escrita por  Adeline Daniele e publicada na revista Você S/A. Foto Rogerio Pallatta.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *