Compartilhe esse conteúdo

Organizações e especialistas apontam prejuízos em segurança e mobilidade com troca de modal

A possibilidade de troca do projeto original da Linha 18-Bronze do Metrô, que prevê o monotrilho como modal, para o BRT (sigla em inglês para sistema de transporte rápido por ônibus), pode significar prejuízos para a população idosa da região. É essa a avaliação de especialistas, representantes de associações de aposentados e pensionistas, e dos próprios munícipes, consultados pelo Diário. Entre as queixas, estão questões como acessibilidade e atendimento.

O vice-presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas da Região do Grande ABCDM, Isaias Urbano da Cunha, lembrou que, considerando a pujança regional, com 2,7 milhões de habitantes e uma população maior do que a de alguns países, o Metrô já se tornou uma necessidade. “Para os idosos, que, com dificuldade, conseguem manter seus planos de saúde e costumam ir com frequência a São Paulo para consultas e exames, é de vital importância um meio de transporte rápido e de qualidade”, pontuou.

Presidente da Associação dos Metalúrgicos Aposentados de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Sebastião Felício de Souza destacou que são frequentes as queixas da população idosa com relação ao serviço prestado pelos ônibus municipais e intermunicipais que já circulam na região. “São inúmeros os problemas, desde motoristas que param longe do ponto, dificultando ainda mais para que a pessoa idosa embarque no veículo, até aqueles que simplesmente não param e deixam as pessoas esperando”, reclamou.

A presidente da ABG (Associação Brasileira de Gerontologia), Eva Bettine, afirmou que a troca significa prejuízo para a população idosa. “Leciono na Universidade Aberta para Terceira Idade e a aceitação para eventos e atividades é maior quando o local está próximo ao Metrô”, justificou. “As estações acessíveis, o embarque em nível, presença de sanitários, em um modelo de transporte que já é conhecido e aprovado, são o ideal para essa parcela da população”, completou.

A especialista pontuou que o BRT será um “corredor de ônibus mais sofisticado”, com os problemas que hoje já existem para essa população. “A gente pode até falar em perda cultural, uma vez que essa população do Grande ABC poderia ter acesso à universidade aberta de maneira mais fácil tendo a ligação com São Paulo por meio do monotrilho”, concluiu.

A prioridade e a segurança dos idosos nos procedimentos de embarque e desembarque em transporte coletivo, inclusive, são direitos previstos no artigo 42 do Estatuto do Idoso. “Em termos de acessibilidade e segurança, o monotrilho é a melhor opção”, opinou o advogado especialista em direito do idoso do escritório Posocco & Advogados Associados, Fabrício Posocco. “O monotrilho é um modal com maior possibilidade de expansão do que o BRT”, completou.

Em São Caetano, cidade com maior proporção de população idosa da região (cerca de 22% do total), a reivindicação ao monotrilho é unanimidade. “A acessibilidade das estações faz do monotrilho a melhor opção para a gente”, afirmou a dona de casa Marister Avelino Noozeviski, 69 anos. O taxista aposentado Antonio Felipe, 73, lembrou que, além do monotrilho ser um modal mais rápido e eficiente, há dificuldade de “se criar espaço” para um novo corredor de ônibus. “O trânsito já está um caos, imagina depois disso”, questionou.

Esta reportagem foi escrita por Aline Melo para o Diário do Grande ABC

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *