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O bullying afeta milhares de crianças e adolescentes e pode provocar medo, tristeza e até depressão. Agora, uma nova lei pode ajudar a combater o problema

Xingar, bater, chutar, ignorar, excluir, humilhar, ameaçar e enviar mensagens de mau gosto na internet. Essas são algumas ações que podem ser caracterizadas como bullying. Todos os anos, esse tipo de abuso afeta milhares de crianças e adolescentes no Brasil e no mundo e pode deixar marcas por toda a vida. Tristeza, depressão e até suicídio são algumas consequências graves do bullying. Agora, uma lei sancionada no País promete ajudar a combater o problema.

O texto prevê que escolas, clubes e agremiações recreativas promovam medidas de conscientização, prevenção e combate aos abusos. O programa inclui a realização de campanhas educativas, além de orientação e assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores. Entre os objetivos está a capacitação de docentes e equipes pedagógicas. A Lei 13.185/2015 entra em vigor em cerca de três meses.

Resgate de valores

A psicóloga e escritora Maria Tereza Maldonado comemora a sanção da lei. “Essa lei vai conscientizar a equipe escolar, os alunos, as famílias e a sociedade sobre a importância de cultivar a rede de relacionamentos com base no respeito ao outro”, afirma.

Ela acrescenta que a nova lei ajudará a evitar problemas comuns no cotidiano da população. “A lei pode estimular a recuperação dos valores, da ética e da honestidade. Educar as gerações atuais pode prevenir problemas que acontecem no ambiente de trabalho e nas famílias, como assédio moral e injúrias”, opina a especialista, que é autora do livro A Face Oculta: Uma História de Bullying e Cyberbullying.

Maria Tereza lembra que a aplicação correta da lei vai depender também do apoio das famílias. “Pais e responsáveis precisam conversar com os filhos sobre o uso responsável da internet e sobre ações de falta de respeito com os outros. Eles devem ensinar o que é brincadeira e o que é agressão. Só é brincadeira quando todo mundo se diverte”, ensina a psicóloga.

A lei afirma que a punição aos agressores deve ser evitada e que, em seu lugar, sejam aplicadas medidas alternativas que promovam a responsabilização dos agressores e a mudança do comportamento hostil.

Qual é a punição?

O advogado Fabricio Sicchierolli Posocco reconhece que a nova lei responde às necessidades atuais da sociedade. Entretanto, ele pondera que o texto tem algumas brechas.

Segundo a lei, o bullying é todo ato de “violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”. Para Posocco, a definição traz problemas. “Até mesmo se houver motivação evidente, a situação também deve ser considerada bullying. O Código Penal impede a possibilidade de fazer justiça com as próprias mãos, então, ainda que haja motivação, ninguém pode aplicar violência física e psicológica contra outra pessoa”, alerta o advogado, que é especialista em Direito Civil e já defendeu vários casos de bullying.

O advogado aconselha que as vítimas de bullying denunciem o ato. “É importante fazer um boletim de ocorrência e guardar as provas do bullying para depois entrar com uma ação na Justiça. Se o abuso for cometido na escola, a família deve protocolar documentos na secretaria da instituição e pedir providências. Denunciar o abuso também ajuda a evitar que ele se propague”, conclui.

Você também pode ajudar

Cada cidadão deve assumir a sua responsabilidade no combate ao bullying. Em vez de rir de um apelido pejorativo, por exemplo, é importante reconhecer que o que provoca dor e medo não pode ser considerado uma brincadeira. E, antes de postar alguma mensagem de mau gosto direcionada a uma pessoa na internet, vale a pena tentar se colocar no lugar do outro. Afinal, que ser humano gosta de ser perseguido, humilhado, ameaçado e agredido? Para lutar contra esses abusos, o primeiro passo é simples: basta respeitar o próximo.

A menina que deixou de sorrir

Para os colegas, era apenas uma brincadeira. Mas Andressa Ribeiro acreditava que o apelido que ela havia recebido na escola era uma verdadeira tortura diária. A jovem tinha apenas 9 anos quando passou a ser identificada no ambiente escolar como “a menina do dente amarelo”.

“Quando meus dentes de leite caíram e outros nasceram, percebi que os novos eram amarelos. Os colegas da escola começaram a falar dos meus dentes. Eu ficava envergonhada, triste. Tinha medo de que todos na escola me chamassem de menina do dente amarelo”, conta. Aos poucos, Andressa passou a conviver com a angústia e a ansiedade. “De tanto falarem dos meus dentes, eu simplesmente não queria mais sorrir, deixei de dar risada. Sentia vergonha”, explica.

Andressa conta que o pesadelo durou cerca de dois anos. “Um dia, decidi não dar mais atenção para o que as pessoas falavam e parei de me sentir mal. Até que o bullying parou”, relembra a jovem, que hoje tem 16 anos. “Acho muito bom ter uma lei para combater o bullying. Muitas pessoas passam pelo problema e não contam para ninguém. E quem pratica bullying já se perguntou como a pessoa se sente com aquilo?”, questiona.

Esta notícia foi escrita por Rê Campbell e publicada na Folha Universal.

Foto: Fotolia

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