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É preciso dar um basta nessa prática nada divertida

Bullying é uma palavra derivada de bully = valentão e caracteriza um ato agressivo, podendo ser verbal ou não, contra outra pessoa. “A prática é de ações violentas, intencionais e repetitivas, que expõe a pessoa indefesa a uma situação que pode provocar danos físicos e psicológicos, ferindo demais a autoestima da vítima”, explica a neuropsicóloga, Deborah Moss. Vamos falar sobre isso?

Não é brincadeira

“Seu cabelo é ruim”, “você é gorda”, “quatro-olhos”… Essas expressões podem até parecer inofensivas ou uma zoeira inocente, mas carregam um peso e tanto. Insultar e intimidar o outro não é legal e gera consequências que refletem pelo resto da vida da vítima.

Quem viveu: “sempre fizeram piadas sobre meu cabelo cacheado no colégio e isso me afetou tanto que com 12, 13 anos, resolvi colocar química nele só pelo fato de não me aceitar”, Bruna Renata.

Adolescência puxada

O bullying não tem cara e nem idade, mas se acentua muito mais nessa época da vida. “Para o agressor, essa é uma fase de afirmação e seus atos podem ser uma ferramenta para chamar a atenção de colegas”, afirma o psicólogo Yuri Busin.

Já a vítima, normalmente, se encaixa em um padrão de pessoas consideradas mais frágeis, tímidas e com dificuldade de se inserir em seu meio social.

Quem viveu: “eu era a garota estranha porque me vestia diferente do resto, tinha cabelo curto e enrolado, não usava maquiagem e tinha pensamentos diferentes, por isso colocavam apelidos em mim”, Priscila Schalok.

Consequências

Desde pequenas palavras e insultos até ações como empurrar, beliscar e bater, tudo isso é grave. “Há grandes chances de a vítima desenvolver distúrbios psiquiátricos, como depressão e ansiedade. Além do mais, gera insegurança, estresse e, consequentemente, fere a autoestima. A prática também pode gerar prejuízos emocionais e até quadros de pânico e isolamento social”, comenta a neuropsicóloga.

Quem viveu: “uma menina da minha turma sempre me xingava e, às vezes, até machucava. Contei pra minha mãe e, depois de um tempo, ela se afastou, mas comecei a odiar a escola e me mudei”, Sandy Stephanie.

Abrir-se é importante

É comum quem sofre se calar ou até mesmo se sentir culpada pelo acontecimento. Mas a melhor forma de tentar combater essa prática é contar para alguém de confiança. Por mais difícil que seja, é importante se abrir para que outras vítimas tenham coragem de fazer o mesmo e o agressor não fique impune. “Você não precisa mais passar por isso, existem formas de acabar com o problema. Mas para isso rolar, é preciso procurar ajuda”, explica Yuri.

Quem viveu: “quando aconteceu comigo, comuniquei a diretoria e, quando foram averiguar o caso, a menina praticava bullying com muita gente além de mim. Ela levou uma suspensão que a fez aprender também”, Monique Chervienski.

Superação

É um caminho longo, mas não impossível de chegar. Cada pessoa é atingida de uma forma e o trauma pode ser mais profundo ou não. Mas, independente disso, uma ajuda profissional é um ótimo começo. “A família pode oferecer outras vivências em grupos mais saudáveis e que promovam uma melhora na autoestima. O importante é se distanciar da experiência ruim de ter sido o centro das gozações”, fala Deborah.

Quem viveu: “antes eu me sentia muito mal, mas percebi que aquilo não me levaria a lugar nenhum e o problema não estava em mim, mas, sim, nas pessoas”, Myllena Ferreira.

Atenção aí!

Para uma vítima existir, é porque alguém tem que praticar. Se você está no lado de quem faz bullying, que tal se colocar no lugar do outro? Não é legal ficar insultando alguém por ser diferente de você. Cada um é de um jeito e não custa nadinha aceitar isso. Ah, também dá para identificar alguém nessa situação: alterações de humor, problemas para dormir ou comer, isolamento e falta de vontade de ir à escola, são sinais de que algo pode estar errado!

Cyberbullying

A internet também é um local onde o bullying ocorre porque a pessoa está escondida atrás de uma tela de computador. Se acontecer com você, a primeira atitude a tomar é abrir um boletim de ocorrência em uma delegacia. “A vítima deve imprimir o material ofensivo para ter comprovação de que a agressão existiu”, explica o advogado Fabricio Sicchierolli Posocco. Isso é importante porque a denúncia pode levar a uma punição.

A prática acontecida tem muita semelhança com o bullying em si, por isso, as dicas dessa matéria também servem neste caso. “O principal é se sentir superior a tudo isso e não deixar as maldades influenciarem. Cabeça erguida sempre, porque essa é uma tempestade que vai passar”, finaliza o profissional.

Esta reportagem foi escrita por Maria Mazza e publicada na revista Todateen.

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