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O que mais irrita, o que pega bem e como agir

No Facebook, quantas vezes aconteceu de seu nome ser marcado num post nada a ver com aquilo em que você acredita? E o que acha de ser incluído em grupos do WhatsApp para eventos dos quais não tem interesse em ir? Gosta de ficar recebendo vídeos sem graça? Ao que parece, esse tipo de coisa não vem agradando. Mas acontece – às pencas.

O expert em marketing digital e redes sociais Renato Melo analisa: “Logo no início da internet, com os blogs, e depois com o Twitter, as pessoas começaram a gostar da visibilidade e da facilidade de falar sobre absolutamente qualquer assunto. Compartilhar opiniões e aquilo que estão fazendo virou a tônica das redes sociais, algo que a revista americana Time definiu em 2013 como o Me Me Generation. Porém, esse excesso de exposição traz novos problemas, como provocar brigas e até custar o seu emprego”, continua ele, que é sócio da agência de marketing Iska Digital e do pub Mucha Breja, além de professor universitário.

Para saber quem são as pessoas mais irritantes das redes sociais, a loja de equipamentos esportivos Sweatband.com fez uma pesquisa. Divulgada pelo jornal britânico Daily, mostrou resultados curiosos. “Por incrível que pareça, para 53% das 1.793 pessoas ouvidas, seus contatos mais irritantes nas redes sociais são aqueles que postam constantemente algo sobre sua incrível aptidão física ou sua última dieta. O oposto, ficar postando fotos das delícias que estão comendo, também incomoda”.

Em terceiro lugar estão os “enigmáticos propositais”, aqueles que escrevem atualizações de status misteriosas para chamar a atenção dos amigos. Por exemplo, fazem check-in em hospital, sem dizer o motivo. Deixam no ar tanto a ideia de que podem estar em coma quanto visitando uma amiga que deu à luz. Conclusão: fica todo mundo perguntando. E pode ser pior, quando fazem selfies tomando soro na veia.

Renato destaca alguns assuntos polêmicos para abordar:

  • Futebol. Você pode até compartilhar coisas mais simples, como uma foto no estádio ou fazendo alguma comemoração mais tranquila. Ou seja, mantendo a educação e a civilidade. Meme xingando o time adversário, não.
  • Política. Tenha sua preferência, porém não a transforme em verdade absoluta. Principalmente agora, que o Brasil vive um momento bem complexo, é um assunto que deve ser tratado com cuidado ou mesmo evitado.
  • Lifestyle. Por ser uma verdadeira rede de network, podem estar na sua página do Facebook seus novos chefes e seu novo relacionamento. Portanto, é um clássico recomendar conter o excesso de fotos relacionadas a balada, muita bebida alcoólica e fatos comprometedores.
  • Opiniões polêmicas. Hoje, estamos numa época em que se preza o respeito pelo ser humano. Homofobia, racismo e machismo não são aceitos nas redes sociais e podem gerar processos.
  • Pornô de vingança. No WhatsApp, espalham-se rapidamente fotos e vídeos íntimos, principalmente entre os homens. Por mais que o aplicativo seja criptografado, você pode ser considerado cúmplice ou mesmo culpado pelo repasse desse tipo de conteúdo.
  • Spam. Mensagem oferecendo algo via e-mail, SMS e WhatsApp só pode ser enviada em massa havendo consentimento e autorização. Caso contrário, é ilegal, invasivo e inconveniente.

Glau Gasparetto, sócia da agência de produção de conteúdo e produtos digitais infoMedia, realizou recentemente uma pesquisa sobre o assunto com sua rede de 1.905 amigos no Facebook e outro tanto no WhatsApp. O que mais a surpreendeu dos retornos que teve? “Nos grupos do aplicativo, o que mais irrita, certamente, é receber bom dia todo santo dia. Só não é unanimidade porque a turma que dispara tais mensagens, fotos e animações do gênero deve gostar, certo?”

Também se destacaram nessa pesquisa repasse de correntes e de notícias falsas, sem a mínima checagem. “Nota-se que esse comportamento é impulsivo: a pessoa termina de ler e já encaminha para todos os grupos, sem se preocupar com o objetivo ou a veracidade do que passa adiante”, comenta ela, ainda impressionada com a quantidade de gente que se irrita com a “falta de noção” no WhatsApp. “Percebi que muita gente adota o recurso de silenciar os grupos (da família, principalmente) por tempo indeterminado ou arranja uma desculpa para abandonar”, relata Glau, que já tomou as duas atitudes.

Em relação ao Facebook, a situação mais irritante, sem qualquer dúvida, é a publicação de vídeos e fotos de tragédias, violência e crueldade (envolvendo animais, principalmente). Na sequência, há quase um empate: a falta de checagem de textos, as correntes (a da vez é “não role a página sem dizer/escrever Amém!”) e a mania de detalhar o dia a dia, transformando a timeline do Facebook em diário virtual.

EDUCAR QUEM EXAGERA NA DOSE

Além de indicarem o que as irritavam no Facebook, as pessoas abriram suas soluções. Deixar de seguir quem extrapola o bom senso, bloquear ou desfazer amizades lideram a lista. “Tenho opinião bem parecida com a maioria delas em ambas as situações. No Facebook, costumo deixar de seguir quem abusa de publicações com imagens chocantes ou inadequadas. E bloqueio o inbox se começo a receber muitas mensagens com gifs (imagens animadas) com mote de autoajuda”, ela exemplifica.

Já no WhatsApp, Glau apaga mensagens, imagens e vídeos que não foram escritos ou feitos por quem está enviando. Ou seja, são só copiados e colados. Nem lê. Foi a alternativa que encontrou para parar de se irritar. Depois de sua pesquisa, ela montou esse pequeno manual do que pega bem:

  • No WhatsApp. Em grupos, dispensar as saudações diárias e o envio de gifs e imagens. Não abusar dos áudios, a não ser que a outra pessoa aceite receber. Também não fugir do propósito do grupo (se for de mães da escolinha, com proposta de falar de educação, não trazer outros assuntos). É vital não compartilhar notícias e links sem checar a veracidade. Se for um grupo de trabalho ou que reúna pessoas com pouca intimidade, evitar piadas, deixando para grupos de best friends (melhores amigos) e família.
  • No Facebook. Não exagerar nas publicações que incomodem visualmente os amigos. E não marcar um monte de gente nas postagens que faz – é preferível uma aproximação via inbox. Se for adicionar algum contato que não conhece, enviar uma mensagem se apresentando ou explicando por que quer incluir na sua lista de amigos. Evitar ser inconveniente via inbox com o envio de mensagens prontas. E checar fontes antes de compartilhar – sempre!

A própria Glau utiliza demais as redes sociais para se comunicar, pelo fato de trabalhar remotamente, rodando o mundo, com seu projeto Vida Wireless. “O que gosto do WhatsApp e do Messenger (Facebook) é que todo mundo usa e são bem práticos, permitindo que eu responda quando arrumo tempo. Difere de uma ligação via telefone, que às vezes chega num horário inoportuno. E confesso que nunca fui fã dos áudios no WhatsApp. Mas acabei cedendo, já que muitos o preferem. Tanto que hoje, quando peço retorno de alguém, aviso que pode me enviar áudio. Agindo dessa forma, sei que não haverá falha na comunicação”.

Algo que Glau sempre respeitou foi nunca enviar mensagens em horários impróprios, mesmo trabalhando muito à noite e na madrugada. Além disso, quando está fora do País, checa o fuso horário, pois tem colaboradores que moram nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo. “Se quero escrever naquele momento – para não esquecer algo –, prefiro enviar um e-mail a acordar o outro, caso as notificações dele tenham som”.

NO AMBIENTE DE TRABALHO

WhatsApp agiliza a comunicação, mas o mau uso pode gerar demissão do emprego. “Estatísticas mostram que os motivos mais comuns são a divulgação de informações sigilosas da empresa a terceiros, quebra de confidencialidade ou até mesmo assédio moral contra colegas, em razão de ofensas e tratamento desrespeitoso em grupos do aplicativo. Também há ações trabalhistas nas quais as empresas defendem aplicar justa causa por má conduta, comprovada por meio de conversas e participação em grupos. É quando o empregado se manifesta de forma ofensiva contra a empresa ou seus superiores hierárquicos”, explica Fabricio Posocco, do escritório Posocco & Associados Advogados e Consultores.

Por outro lado, segundo o advogado, o mau uso por parte dos empregadores também pode gerar direitos trabalhistas ao empregado. Assim, a solicitação de tarefas via WhatsApp, fora do horário de trabalho, pode configurar tempo à disposição do empregador e motivar que ele reclame o pagamento de horas extras.

CRÍTICAS E DANO MORAL

Trazendo para as relações de consumo, estamos mais conscientes, mas não é raro nos depararmos com o exercício de nossos direitos de forma distorcida, especialmente na internet. “Comentários negativos propagados por consumidores quando adquirem um produto ou serviço, via redes sociais ou sites de reclamação, têm um poder devastador, levando a imagem de uma empresa ao engrandecimento ou à ruína”, diz ele, orientando que a reclamação deve se restringir ao que, de fato, ocorreu, sem denegrir ou macular a honra de terceiros, sob pena de gerar direito de indenização à parte ofendida, nos termos da lei.

NOTÍCIAS FALSAS E DELITOS

Por fim, Fabricio Posocco alerta sobre as consequências de publicar notícias de cunho ofensivo sem checar a veracidade. “Podem gerar um crime contra honra – injúria, calúnia ou difamação. Vale lembrar que, em nossa região, uma situação absurda como essa levou a óbito uma senhora em Guarujá, acusada injustamente de fazer magia negra com crianças, após esse fato inverídico ter sido disseminado virtualmente”.

O advogado reforça que a responsabilidade daqueles que compartilham tais notícias, e as comentam de forma ofensiva, é igual a de quem iniciou: “Afinal, uma acusação mentirosa feita nas redes sociais infelizmente vira verdade absoluta e pode condenar uma pessoa ou entidade para sempre no mundo virtual”, finaliza Posocco.

Esta reportagem foi escrita por Joyce Moysés para a AT Revista, encarte do jornal A Tribuna de Santos. Imagem ilustrativa Dragana_Gordic/Freepik

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