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Comercializados por menor preço, os jogos aumentam o faturamento dos vendedores

A cada lançamento de console, uma enxurrada de novos títulos falsificados aparece nos camelôs. A prática parece se popularizar no País por conta dos preços elevados dos jogos originais encontrados em lojas. As opções encontradas no mercado alternativo são mais baratas, o que serve de motivo para os jogadores preferirem material pirata. Com o avanço da tecnologia, o sistema dos videogames permite agora que jogos originais sejam distribuídos com outros jogadores, mudando a cara da pirataria.

Na internet, os gamers podem adquirir jogos via internet, sem recorrer às lojas físicas para novos títulos. A diferença é que agora, após comprar um novo jogo via serviço online, o jogador pode compartilhar o game com outras pessoas. E é claro que alguns lojistas já tiraram proveito da funcionalidade.

Nova Era Games, Digital Games PSN e Game For Fun são apenas algumas lojas que vendem games mais baratos do que os encontrados nas lojas oficiais da Microsoft e Sony ou mesmo em lojas físicas. O fator responsável para o preço mais baixo é justamente a funcionalidade de compartilhamento de mídias.

A loja adquire um game em uma conta específica. Depois vende o game para outras pessoas por um preço baixo. Quando o gamer compra o jogo, ele recebe o login e senha da conta do jogo, assim ele pode baixar o game no seu videogame. No Playstation, cada jogo pode ser compartilhado em até quatro pessoas, no Xbox One, apenas duas pessoas.

A estratégia é rentável. Enquanto Batman: Arkham Knight para PS4 custa cerca de R$ 250 em um varejista como o Walmart, na Digital Games PSN, o mesmo jogo em mídia digital pode ser adquirido por R$ 99,90. Uma vez que cada jogo pode ser dividido por quatro pessoas no PS4, o lucro do vendedor por jogo é estimado em R$ 149,60 – sem levar em conta os custos menores do ambiente e logística digitais. Este valor pode ser muito maior se o preço que a loja pagou para comprar o game original for menor do que os praticados pelas jogas convencionais.

Lojas oficiais

Além de refletirem a tendência de um mundo cada vez mais voltado para a nuvem, as compras digitais fazem uma ponte com jogadores distantes dos grandes centros, explica o gerente geral de Xbox da Microsoft Brasil, Willen Puccinelli.

— O mundo está caminhando para um ambiente de nuvem e isso está acontecendo com todos os tipos de produtos. Os jogadores estão garantindo facilidade de acesso e vantagens. Isso reflete mais opções para os gamers, que podem escolher onde jogar e comprar seus jogos.

Puccinelli ainda comenta outras vantagens das compras de jogos digitais, como a possibilidade de adquirir um jogo e instalar no console de um amigo. O gerente geral de Xbox para o Brasil revela que vários títulos de sucesso só são viáveis economicamente por conta desse modelo de venda.

— No ambiente digital, você consegue cadastrar seus amigos para jogar um título no console dele, pelo mesmo preço. Há também uma questão de facilidade, alguns jogos são exclusivos no ambiente digital porque é mais fácil fazer a distribuição. Isso viabiliza que desenvolvedores independentes tenham seus jogos publicados em todo o mundo e acelera a oferta de títulos.

É legal?

Segundo decisão do Tribunal Europeu de Justiça, os jogadores são livres para vender os jogos digitais adquiridos em plataformas especializadas. Para o tribunal, o direito sobre a distribuição de uma cópia se esgota na primeira venda. Porém, aqui no Brasil, não é possível compartilhar mídias de forma legal, como explica o advogado Fabricio Sicchierolli Posocco.

— A comercialização de “compartilhamento de jogo” por aquele que adquiriu a licença para tanto com a compra do produto não se mostra adequada, principalmente porque em nossa legislação sobre Direitos Autorais, os direitos de distribuição de um título são relacionados a somente um usuário por licença adquirida. Com base nisso, a ideia do “multiplayer” pode ser utilizada, desde que cada jogador tenha a sua licença e se conecte ao jogo, devendo cada um também pagar um determinado valor para estar presente nessa sessão e ter o direito de compartilhar o jogo em conjunto.

Mesmo com a prática não sendo indicada, na internet não é difícil encontrar tópicos em fóruns de videogame com usuários perguntando como fazer para tirar uma grana em cima dos próprios jogos.

Riscos

É claro que os riscos de adquirir mídia digital existem. Caso a loja ou a pessoa que te vendeu o game mude a senha da conta na qual o jogo foi disponibilizado, você perde o acesso. O mesmo vale para a exclusão da conta ou até mesmo caso Sony e Microsoft resolvam mudar suas políticas sobre o tema.

Atendendo pedido da reportagem do R7, o executivo da Microsoft comentou as compras em sites que fazem a revenda ou compartilhamento de contas, a orientação de Puccinelli para que os jogadores tomem cuidado antes de realizarem compras fora dos ambientes controlados pelas empresas e que os gamers fiquem “com o pé atrás” para não contribuirem com a pirataria.

— Existem formas de compra que não preservam os direitos dos criadores. É importante que o consumidor tenha consciência do que está adquirindo. Por isso, indicamos a Xbox Live, sua compra estará registrada, segura e terá garantia de todos os direitos legais. Ambos os formatos [físico ou digital] têm suas vantagens, o jogadores pode decidir e considerar o que faz mais sentido para ele.

Além disso, Puccinelli também garante que as compras feitas para o Xbox 360, console da geração anterior da empresa, estão garantidas para os jogadores e que a Microsoft pretende dar suporte para sua base de gamers dessa plataforma por um longo tempo.

No site Reclame Aqui, a loja Digital Games PSN – uma das empresas que faz esse tipo de venda digital – tem um histórico negativo. São dezenas de mensagens de usuários alegando o não recebimento de jogos ou não conseguirem mais jogar o game após determinado tempo. Um dos depoimentos do site, de 5 de fevereiro, diz que dois jogos não foram recebidos pelo comprador mesmo após o pagamento. Outro usuário, em 12 de abril, disse que dois games pararam de funcionar por mudança dos dados de acesso.

A reportagem do R7 Jogos tentou contato com todas as lojas citadas, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Esta matéria foi publicada, com colaboração de Raphael Andrade, no R7.

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