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Injeção aplicada em rapaz, aos cinco anos, atingiu o nervo ciático e fez com o jovem perdesse imediatamente o movimento da perna direita

Aos cinco anos, Lucas Pacheco Medrado de Oliveira foi com a mãe ao Pronto-Socorro perto de casa, em Praia Grande, para tomar uma medicação para febre. Porém, a injeção aplicada atingiu o nervo ciático e a criança perdeu imediatamente o movimento da perna direita.

Dezesseis anos depois, a Justiça considerou que houve erro no procedimento e que a família deve receber uma indenização por danos morais e reembolso pelo dinheiro investido em tratamento. A decisão é de segunda instância e ainda cabe recurso.

“Ninguém mais pode discutir o erro médico. Só o valor de danos, mas acredito que não será modificado”, garante o advogado do caso, Fabricio Sicchierolli Posocco.

Transtornos

Para Luzia Pacheco, mãe da vítima, a decisão judicial traz um doce sabor de vitória. Mas não o suficiente para apagar o amargo da lembrança daqueles dias. Lucas teve a infância e a adolescência afetada pelo erro no procedimento. “Ele se retraiu, só se comunicava com a família, reprovou na escola porque não falava”.

Além das sessões de fisioterapia e psicoterapia, Lucas também fez terapia ocupacional e outros acompanhamentos médicos. A mãe correu em muitos lugares à procura de resposta para o problema do filho e também de tratamento. Até hoje não perdoa o erro da auxiliar de enfermagem.

“Lucas nasceu prematuro, teve três paradas cardiorrespiratórias e sobreviveu sem sequelas. Mas por causa do erro de uma pessoa ele ficou sem andar”, desabafa.

Hoje, aos 21 anos, Lucas tem o movimento da perna recuperado. Porém, não consegue permanecer de pé por muito tempo, pois sente dormência.

Persistir

“Apesar da demora do processo, a justiça foi feita. Por isso, as pessoas não devem deixar seus direitos para depois. Só com processos como esse podemos evitar que outros passem pelo mesmo problema”, defende o advogado.

Na ação de danos materiais e morais a decisão da Justiça é que Lucas recebe indenização de R$ 40 mil pelos danos morais, mas o retroativo dos anos em que o processo ficou em andamento.

Em nota, a Secretaria de Saúde Pública de Praia Grande informou que a Procuradoria-Geral do município entrou com recurso contra a decisão judicial em dezembro de 2015 e que aguarda o novo parecer do caso.

Esta notícia foi publicada no jornal A Tribuna.

Foto Alexsander Ferraz

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