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Sabe aquela frase “vou tomar só uma porque ainda tenho que dirigir!”? Pois é, essa dose “inocente” pode resultar em um acidente com vítimas fatais. Mas esse é apenas um dos comportamentos que podem ser muito perigosos para quem está dirigindo ou vai pegar o volante em breve. Neste Maio Amarelo, campanha anual de conscientização para temas relacionados à segurança viária, que tal aprendermos a nos atentar a hábitos que podem fazer toda diferença no final de uma viagem?

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados no final de 2018 apontaram que o Brasil ocupava o quarto lugar em acidentes de trânsito — a cidade de São Paulo aparece com maior número de ocorrências com óbitos. Segundo o relatório, mais de um milhão de pessoas, em todo o mundo, morrem no trânsito a cada ano.

Na maioria dos casos , os acidentes são causados por falhas humanas aparentemente bobas. Ou seja, pessoas que dirigiram cometendo alguma infração de trânsito. “O ato de dirigir envolve 1500 habilidades, desde destreza dos movimentos e gestos que exigem força muscular – como pisar no freio, na embreagem, fazer manobras –, e mental de avaliação, risco, e percepção de situações”, alerta David Duarte, especialista em Trânsito e membro do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST). “O cenário do trânsito está sempre mudando. Tudo é dinâmico e envolve outras pessoas, veículos e animais em movimento. Ele muda a cada instante. Logo, qualquer tipo de distração pode ser fatal!”, diz.

Qualquer tipo de distração, seja em segundos irá desviar a atenção da direção por alguns segundos e pode causar acidentes fatais. Segundo Duarte, se um condutor que está a 60km/h der uma olhada de 3 segundos, na mensagem que acabou de chegar no celular, ele terá percorrido mais de 50 metros às cegas, levando em consideração que a cada segundo, um veículo percorre cerca de 17 metros, nesta velocidade.

“A situação na frente dele pode mudar, no exato momento de checar quem enviou uma mensagem para o seu celular, dar uma mordida em um sanduíche ou ainda colocar canudo em um refrigerante”, afirma o especialista. Uma criança pode atravessar a via, um carro pode frear, um semáforo pode fechar, entre outras ocorrências que levam segundos para acontecer. “O motorista não deve dar margem a distrações, porque o cenário é extremamente mutante a todo o instante. É preciso ficar o tempo todo ligado no que pode acontecer”, alerta.

Regras e consequências para maus hábitos

Temos regras, punições, retenções de veículos, leis, milhares de campanhas de alerta, mas mesmo assim, o condutor continua a causar e sofrer acidentes por dirigir fora de condições permitidas (e muito ensinadas nas escolas!) como não usar o cinto de segurança.

“A Legislação de Trânsito passou por mudanças expressivas recentemente, de modo a aumentar as penas impostas ao infrator. Se este ocasionar lesão grave pode pegar de dois a cinco anos de prisão. Se causar morte, a pena é de cinco a oito anos, sem o direito de liberdade sob fiança, que antes poderia ser feito pelo próprio delegado”, explica Fabrício Posocco, advogado e especialista em legislação de trânsito do escritório Posocco & Advogados Associados.

Posocco ainda reforça que, na hipótese da ocorrência de lesão corporal culposa (sem intenção), o motorista pode passar de dois a cinco anos preso, sem o direito de pedir a suspensão condicional do processo, que traria a possibilidade do condutor ser considerado réu primário e ser favorecido por algumas condições, como o pagamento de multa.

O advogado alerta para as consequências: “Se o motorista for pego dirigindo com 0,06 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões receberá multa no valor de R$ 2.934,70 e tem suspenso o direito de dirigir por um ano. Caso seja flagrado novamente dirigindo embriagado dentro de um ano, a multa dobrará. Ou seja, ele pagará R$ 5.869,40 e a CNH poderá ser cassada. O motorista será multado mesmo que seus reflexos pareçam estar em perfeitas condições e ele tenha ingerido apenas pequena quantidade de bebida alcoólica”, pontua Posocco.

Maio Amarelo

Como sabemos, os problemas relacionados a infrações no trânsito não ocorrem somente no Brasil, mas em praticamente todo o mundo. Porém, os brasileiros ainda continuam encabeçando rankings de acidentes causados por falha humana e por isso estamos entre os que mais apresentam ocorrências e infrações no trânsito. “Nós não temos muitas campanhas e a pouca fiscalização é realizada de forma inadequada. Precisamos melhorar muito tudo isso para termos bons resultados. Apoio o Maio Amarelo, mas alguns pontos, principalmente relacionados a conscientização da população precisam ser revistos. Os modelos de fiscalização também precisam de atualização. Para resolver o problema temos que colocar a mão na massa e as penalidades devem ser mais severas” conclui o professor Duarte.

Por que maio?

Por que este é o mês escolhido para a realização da campanha Maio Amarelo? Foi determinação da Organização das Nações Unidas (ONU), que em maio de 2011 decretou a Década de Ação para Segurança no Trânsito. A cor amarela tem referência ao alerta do semáforo: atenção!

Maio é o mês da conscientização de segurança no trânsito, mas a atenção e os cuidados ao dirigir um veículo devem ser constantes!

Esta reportagem foi escrita por Mônica Silva para Cobli. Foto: Pexels/Pixabay

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