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Convênios pesam mais no bolso de quem já passou dos 50 anos, mas há alternativas pra não ficar na mão

O preço do plano de saúde assusta muita gente e pesa cada vez mais no bolso de quem já passou dos 50. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) aponta que o alto custo tá fazendo a turma dos cinquentões cancelar os convênios. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) contesta os dados, mas o fato é que, nas ruas, é impossível achar alguém sorrindo com essa despesa.

O estudo do Idec ouviu 641 consumidores pela internet e constatou que 55% das pessoas que cancelaram o convênio de plano individual tinham mais de 49 anos. Já no caso dos planos coletivos (empresariais ou de entidades), o índice chegou a 60%.

“Isso pode ser explicado pela queda de renda nessa faixa etária. Os mais velhos se veem obrigados a desistir do plano de saúde justamente no momento em que mais precisam de cuidados médicos”, avalia o gerente do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira.

Já a ANS jura que a pesquisa do Idec não reflete os números do setor. De acordo com o órgão, entre junho de 2015 e junho de 2016, o aumento de conveniados foi de quase 2% nessa faixa etária.

Saídas

Nas ruas, a contadora Simone Francisco afirma que há mais de dez anos deixou de pagar o convênio dela e da mãe, de 72 anos, por conta de reajustes. “Com a idade dela avançada não dava mais pra pagar”.

Para não ficar desamparada, a mãe optou por contratar um plano mais econômico, que oferece descontos em centros clínicos da rede.

Para quem não tem grana e não pode ficar sem a cobertura do convênio, a dica é recorrer à Justiça. “Não é o caminho mais fácil, mas pode ser o único. Em dois terços dos casos, os juízes têm dado ganho de causa ao consumidor na questão dos reajustes”, explica o presidente da Associação dos Usuários de Saúde Suplementar do Brasil, Flavio de Ávila.

“Qualquer valor que seja superior à inflação, acrescido de 10%, pode ser considerado abusivo e o idoso tem que fazer valer o seu direito”, afirma o especialista em Direito do Consumidor, FabricioPosocco.

Esta reportagem foi escrita por Egle Cisterna e publicada no jornal Expresso Popular. Foto: Pixabay/DarkoStojanovic.

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