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Usuários do Estado do Espírito Santo saíram dos planos devido à queda na renda ou demissões. Eles devem procurar atendimento no SUS

Crise econômica, demissões e perda de renda familiar são os principais fatores apontados por especialistas para a saída de 20 mil usuários dos planos de saúde do Espírito Santo no primeiro semestre do ano. Hoje, há 1.130.645 beneficiários dos planos.

Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Classes médicas acreditam que estes pacientes devem ir para o Sistema Único de Saúde (SUS) e tornar o atendimento mais lento.

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), representante das operadoras de saúde, informou que o mercado recuou 0,4% no primeiro semestre e a expectativa é que o número cresça mais até o fim do ano. Isso se deve à redução de emprego e renda do brasileiro.

O CEO da consultoria Heach Brasil, Elcio Paulo Teixeira, disse que as demissões têm sido em todas as áreas e, com isso, muitos perdem o plano de saúde. “E os candidatos a novas vagas de emprego aumentaram em quase 30%.”

Reajustes abusivos nos planos, quando o usuário não consegue mais pagar, também são motivo de redução de pacientes. O juiz Paulo Abiguenem Abib, do 4ºJuizado Cível de Vitória, frisou que há usuários que entram na Justiça contra o aumento dos preços.

“Estamos aplicando um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) às operadoras, sendo que os reajustes de mais de 37% ao ano são considerados abusivos.”

Já a diretora-presidente do Procon Estadual, Denize Izaita, afirmou que, há três anos, o Espírito Santo era o estado com maior quantidade proporcional de usuários de planos. “A população abriu mão de serviços como plano e TV a cabo e focou em outros essenciais.”

O vice-corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM) Celso Murad ressaltou que a renda do empregado é reduzida com a inflação, fazendo o plano de saúde pesar no orçamento familiar. “Com a crise, cada vez mais pessoas vão ter de sair das operadoras. O SUS vai ficar mais caótico”, analisou.

O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-ES) Carlos Magno Pretti disse que esses 20 mil pacientes podem precisar do SUS. “Os postos podem não dar conta. E o governo federal reduziu a verba dos remédios gratuitos. A população vai ficar sem plano e sem remédio, podendo agravar doenças e aumentar os pacientes nas urgências”, explicou.

Operadoras dizem que investem em novas clínicas

Para tentar evitar a perda de clientes, operadoras de saúde investem em novas clínicas, em planos com menores custos e oferecem descontos.

A Samp considera que a redução de beneficiários foi insignificante. A operadora informou que, no início de 2016, vai abrir mais uma unidade de pronto-atendimento em Vila Velha.

Além disso, ainda este mês, vai inaugurar a Clínica da Mulher Samp, em Vitória, que vai oferecer atendimento ginecológico e obstétrico desde o pré-natal até o parto, além de exames e serviços de urgência.

A Medsênior disse que não registrou redução, e sim, aumento de clientes, de 47% este ano. Entre as ações para ampliar o números de usuários, estão desconto de 20% em planos para casal com 49 anos ou mais, a partir de R$ 330,08 por pessoa, e desconto de 15% em planos individuais para esta faixa etária, a partir de R$ 349,78. E criou o Centro de Diagnósticos, Centro de Oncologia e Centro de Terapia da Dor.

O São Bernardo Saúde afirmou que manteve estável o seu número de usuários. Como alternativa ao cancelamento de planos, oferece a troca de um plano Total para um Participativo, que possui mensalidade menor.

A Unimed Vitória ressaltou que, apesar do cenário de crise econômica e de demissões nas empresas, a empresa tem mantido resultados positivos no número de usuários.

Regras estabelecidas por agência

Plano de saúde individual
> MODALIDADE contratada diretamente com a operadora de plano de saúde ou por intermédio de um agente autorizado, para uma pessoa ou para a família. São aplicadas regras rígidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que faz com que as operadoras priorizem a venda de outro tipo de plano.
> ENTRE as regras, estão o reajuste máximo do valor da mensalidade anual, definido pela ANS; e a operadora só pode cancelar o serviço se o beneficiário parar de pagar.

Plano de saúde coletivo
> HÁ O EMPRESARIAL e o coletivo por adesão. O empresarial é o contratado pelas empresas para os funcionários. O coletivo por adesão é o contratado por grupos, como sindicatos ou associações. Este tipo de plano não possui algumas regulamentações, como o reajuste anual.
> O VALOR do aumento é definido pela operadora, além de poder ser cancelado a qualquer momento.

Fonte: Fabricio Sicchierolli Posocco, advogado especialista em plano de saúde.

Esta notícia foi escrita por Kelly Kalle, no jornal A Tribuna.

Imagem Freepik.com

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