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Isabela* se apaixonou quando tinha quinze anos por um homem mais velho, já com vinte e três anos. A relação ia bem, até ela fazer qualquer coisa que ele não gostasse, desde conversar com garotos na escola até ter um caderno de infância com o nome de um garoto escrito. “[Ele]Me afastou de todas as pessoas, por eu ser bissexual ele também não confiava nas minhas amigas”, relata Isabela.

Os abusos eram frequentes: “Defendia ele cegamente, embora eu soubesse que tinha algo errado, mas ele era ‘o cara que me salvou da merda’. E eu devia gratidão, sabe? Eu acreditava nisso”, conta Isabela. Em determinado momento, ele abusou sexualmente dela e a chantageava.

Após desenvolver um transtorno de ansiedade e precisar de terapia, Isabela começou a perceber, com a ajuda da psicóloga e da família, o quanto seu namorado fazia mal para ela. Porém, quando terminou com ele os problemas aumentaram. No início ele insistiu para voltarem o namoro e foi se tornando mais violento. “Teve uma noite que eu estava nem lembro onde, e quando fui pra casa, ele começou a me seguir… Daí liguei pra polícia e falei que meu ex estava me seguindo e o policial falou pra eu procurar um conhecido porque eles tinham coisa mais importante pra resolver e estavam sem viatura”, conta Isabela. As perseguições aumentaram, assim como as ameaças. Foram necessários dois boletins de ocorrência para que ele a deixasse em paz.

A Lei Maria da Penha prevê como violência qualquer ação que cause dano psicológico, patrimonial e físico, dentre outros. Se uma pessoa sofre perseguições, chantagens, isolamento social, exploração ela pode denunciar amparada pela lei.

O professor em direito civil, Fabricio Sicchierolli Posocco, explica que a lei abarca até casos que não sejam uma relação de marido e mulher. “A Lei Maria da Penha se aplica a qualquer relação de convívio familiar, ou ainda em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida. As relações pessoais enunciadas nessa lei independem de orientação sexual”, explica o advogado.

“Não importando o sexo, as vítimas de violência física ou psicológica devem denunciar sempre a agressão. Vale deixar claro que qualquer tipo de violência é injustificável e não pode ser escondida ou acobertada, pois pode gerar mais violência. Denuncie e mostre que você sabe valorizar os seus direitos e a sua personalidade”, aconselha Fabricio. Denunciar pode ser difícil, mas acima de tudo, é necessário respeitar a si mesma e prevenir que aconteça o mesmo com outras pessoas.

*O nome da personagem desta reportagem foi presevada por questões de segurança e privacidade

Esta reportagem foi escrita por Heloísa Kennerly e publicada na revista Maria Bonita.

Imagem Freepik.com

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